segunda-feira, 15 de setembro de 2008

trevo eletrônico

Hoje um querubim safado aproveitou que era o horário de almoço do Todo Poderoso e se infiltrou no escritório do chefe.

Sentou em frente ao computador, acessou o google earth divino e foi dando zoons sucessivos, com a idéia fixa da localização do escolhido: primeiro no continente americano, descendo pro sul, pro cantinho, ali perto do Atlântico, Brasil, São Paulo, Santo André, e eis que o mega zoom focou a minha pessoa, que atravessava a rua a caminho do banco.

Não era uma tarefa difícil: apenas um saque e dois depósitos, em três bancos diferentes, porém vizinhos. A primeira tarefa correu bem, aí quando eu fui pra segunda o querubim quis se divertir e apertou uns botõezinhos. Primeiro - e isso não tem relação com o querubim, é uma praga coletiva, era segunda-feira, e eu não sei porquê, nesses dias os bancos enchem - o banco tinha muita gente - ora essa, o outro eu nem tinha pego fila!- e dois caixas eletrônicos sem funcionar. Quando finalmente chegou a minha vez, apareceu a fatídica mensagem: o meu envelope não havia sido "reconhecido", então regurgitado pela máquina. Que, solícita, pediu o código do envelope, no que eu, solícita, atendi. Mas o código era inválido. E agora? Será que eu digitei certo? Era uma sequência grande, como eu ia saber? Desisti e cedi a máquina pra outra pessoa ficar com raiva.

Pulei a tarefa 2 e fui pra 3: um depósito num banco desconhecido. Feliz, constatei que não tinha fila, e preenchi o envelope. Fui até a máquina, digitei o que se pedia. Erro? Ah, sem problemas, só recomeçar, tecla entra, número da conta, ok, agência, número do envelope -sempre ele-, erro. Gr, recomeçando de novo, entra, número, número, número, oba, foi, valor digitado, entra! Segundos de silêncio enquanto a máquina não esboça reação, entra de novo e... volta pra tela inicial. Haha, que maravilha, o negócio tem vida própria! Concluí que odeio máquinas e fui fazer o depósito no caixa com atendente - aliás, não tinha um puto dum atendente com um colete "posso ajudar?" na hora, pra eu poder falar "pode sim", pela primeira vez na minha vida?

Após passar na papelaria pra renovar o estoque de canetas marca-texto - que tavam escondidas na prateleira mais baixa -, fui retomar a tarefa 2, que, finalmente, deu certo. Aí, provavelmente, o querubim já tendo se divertido com a sua traquinagem extra-celestial, saiu do escritório divino porque o chefe tava voltando.



Não sei o que acontece, mas eu realmente não tenho talento pra lidar com máquinas. Ligou na tomada, pronto, me enche de dúvidas. Saudade dos tempos em que as coisas eram movidas a manivela e carvão. Você queria fazer um depósito? Simples, fosse até o seu banco, abrisse a portinhola da entrada e colocasse o envelope devidamente preenchido lá dentro. Consultar o saldo? Marcasse um horário com o gerente. Enquanto não chegasse a sua vez, nada de padecer em pé em uma fila, desfrutasse de um café servido pela secretária Dona Odila. Depois, conversasse com o gerente, que te mostraria o precioso saldo e te perguntaria o que achas das medidas no novo interventor nomeado pelo presidente. Pois é, a vida é complicada.

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