não mexa em velharias. parece que os poros absorvem as lembranças contidas nos tecidos e folhas de papel. que o pó quando sobe vira um filme de reminiscências pronto pra ser assistido.
uma coisa quando fica guardada por dez anos quando volta à tona traz tudo de volta porque o tempo não passa dentro dos armários. por isso que é plenamente possível você, desavisado, se propor a fazer uma limpeza e acabar dez anos mais novo, de uniforme azul, na escola, na aula de inglês, aprendendo o present tense do verbo to be. lá dentro continua sendo aquele ano que no calendário já passou há muito tempo. que no seu corpo já passou há muito tempo.
e é ruim. o cheiro de coisa velha se traduz dentro da gente como uma sensação de incômodo e estranhamento, que nem sonho esquisito. e você se vê de novo falho, mais incompleto do que hoje, menor de tantas formas. mas ainda dentro daquele estofado cômodo da infância, começo da adolescência.
resolvi que gosto só dos objetos vivos. da bagunça dos esmaltes, da escova de dente, da caixinha de brincos, das roupas jogadas, do livro esperando pra terminar de ser lido, o livro esperando pra ser começado. gosto só dos objetos que falam sobre hoje. não gosto das agendas da década passada, gosto só da desse ano.
o resto é melhor deixar guardado.
resolvi que gosto só dos objetos vivos. da bagunça dos esmaltes, da escova de dente, da caixinha de brincos, das roupas jogadas, do livro esperando pra terminar de ser lido, o livro esperando pra ser começado. gosto só dos objetos que falam sobre hoje. não gosto das agendas da década passada, gosto só da desse ano.
o resto é melhor deixar guardado.
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