*suspiro*
nunca tive tanta vergonha de reler algo que escrevi como tive do texto anterior deste blog. foi inevitável o "hahahaha, tolinha!" da segunda ou terceira leitura - e uma das coisas de que mais tive e tenho pavor na vida é ser tomada por tola. ter feito uma suposição radicalmente equivocada ou ter armado o pulo errado. mesmo que seja eu mesma a minha julgadora. sim, o que por si só é tolo, mas eu falo disso mais adiante.
me achei tola porque, veja só, todo aquela vida a que eu estava intimamente - externamente também, a partir do momento em que escrevi e publiquei a respeito - tão satisfeita de estar me ajustando, tudo entrando num eixo. tudo aquilo desapareceu poucos dias depois, uns dois ou três. juro. evaporou, praticamente sem aviso.
e aí eu me senti boba, né. tipo "ai laura. você aí toda ajustada com coisas tão bobas e de repente nada mais existe. e você achando que agora ia". pois é. foi por isso que eu cheguei ao absurdo de achar que o melhor seria apagar o texto. coisa que eu nunca fiz por aqui. um fingir que nunca existiu. fingir que eu não estava bem, tentando ficar satisfeita, entrando num trilho, arrumando a casa, ficando amiga de um novo trajeto. fingir que eu não tomei uma rasteira.
mas aí o tempo passou e, enquanto eu ia elaborando essa confissão, percebi que... o que tem de novo nisso. ou de vergonhoso? pensando bem, não foi a primeira vez. é certo que uns desfechos contra a nossa vontade acontecem mais lentamente. são cenário já previsto, mini-tragédia anunciada, um final que vai se armando e crescendo. mas tem outros (teve outros) que foram igualmente abruptos.que também foram um "toma", que vieram cancelar toda aquela pequena transformação que estava se encaminhando.
e isso é a vida. não deveria ser, no meu entendimento de pessoa que quer tudo sob controle. mas acontece que isso (isso) é tolo. não quebrar a cara. não ter algo que vem e acontece e te derruba. tolo é achar que (argh) está acima disso. que tudo vai sempre andar no trilho que você projetou.
quase senti vergonha de ter sentido vergonha. mas isso seria, mais uma vez, uma bela tolice.
"nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez"
paulo leminski
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário