"os hematomas no plexo solar, o coração rasgado, tudo bem" c.f
daí você aprendeu, de forma não tão tranquila - como é de hábito quando as coisas se abatem sobre a sua pele, e não em filmes e livros - que fingir não estar magoada, engolir o choro e falar "imagina, tá tudo bem" erguendo a cabeça enquanto desmorona - que isso pode voltar depois na forma de gastrite, choro forte e ódio por todos os personagens - você inclusa. e decide, então, nunca guardar nada. e ter suas mágoas ali, presentes, sendo trabalhadas e digeridas, olhadas e analisadas.
só que a ponta oposta também faz mal. é quando você não sabe trabalhar naquela catarse e ela não serve pro que deveria, pra te libertar, secar as lágrimas e fazer seguir em frente. e suas mágoas, que não deveriam ser tidas como invisíveis porque faz mal, você continua carregando pra lá e pra cá, mesmo sabendo que já passou, ressuscitando elas nas horas vagas só pra se ferir. fazendo delas fantasmas/espantalhos de estimação.
é preciso atingir o equilíbrio: senti-las, chorá-las e, passada a dor, se permitir continuar. e deixar que a memória se esvaneça tanto quanto possível.
2 comentários:
dizque é bom se rasgar, pôr pra fora tudo de vez – o tal do orgasmo catártico.
mas sei não, viu. tô contigo.
o ideal deve ser mesmo permitir a existência da dor. sem tapete vermelho pra que desfile, mas também sem batida de porta na cara.
<3
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