terça-feira, 1 de maio de 2012

sério que você vai limitar sua vida assim,

fazendo planos?

Não que fazer planos seja uma coisa ruim. Não necessariamente. Eles ajudam a estabelecer objetivos, coisas que te fazem acordar mais um dia, aceitar mais um trabalho, ser responsável e etc - porque tudo isso vai te levar a algum lugar. E é bom ter em mente esse lugar que você elegeu como objetivo. Mas tem que lembrar de vez em quando que tudo isso se trata de fantasia. Esses lugares onde você quer chegar. Pensei nisso esses dias. Eu almejo, hoje, coisas maravilhosas pros próximos cinco anos. Coisas legais mesmo, mas que eu provavelmente (70% de chance, digamos) não vou alcançar. Não exatamente como eu imagino. Não digo que vou ter que me contentar com coisas piores. Acredito (ingenuidade? fé numa meritocracia inexistente?) que se me empenhar e estudar e trabalhar duro e cultivar  relações com as pessoas certas eu posso topar em coisas legais, parecidas com as que eu imagino hoje. Mas só parecidas, e só sob alguns aspectos.

E faço essa descoberta óbvia em tom de surpresa porque o óbvio, que é aquele clichê da vida ser uma caixa de surpresas, é tão evidente quanto difícil de lembrar. Porque a gente acha que tem o controle e etc. Que a vida não é um negócio feito de eventos praticamente aleatórios. Mas é, e por isso sonhos são fantasia (pura e genuinamente fantasias). Fantasias totalmente fictícias e necessárias. E o problema surge (como surge comigo às vezes) quando você se apega demais àqueles planos, achando que eles vão se realizar daquele jeitinho mesmo. E quando, né, sonho é aquela coisa que sua cabeça imagina e vive, dentro dela, por algum tempo. Mas daí você acorda e a vida segue. Vida e sonhos são coisas com uma área de intersecção bastante pequena.

E assim as coisas legais da vida acabam sendo coisas duplamente legais, porque legais e inesperadas. Praticamente surpresas forjadas pela aleatoriedade do mundo. E é mais interessante assim. Por isso lembrar: sonho é uma coisa que ajuda a empurra pra frente. Mas a gente tem que saber a limitação deles. É uma coisa pra se jogar fora pra viver a vida de verdade.

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