quinta-feira, 1 de novembro de 2012

não sabia que queria

Há que se desconfiar da ideia de que todos os nossos desejos são sempre conscientes, racionais, expressos em sentenças ditas à luz do dia, na frente de todos. É o óbvio ululante para qualquer um que já tenha esbarrado numa teoria psicanalítica qualquer envolvendo desejos, inconsciente, recalque e essas coisas. Eu mesma não duvidaria disso (é uma boa teoria). 


Mas tudo fica mais palpável (e vergonhoso) quando você realmente passa por isso. Quando faz uma coisa dizendo que nem quer tanto assim, que está tentando só pra testar, brincar com a sorte, só pra ver como que vai ser. Isso é o que você diz à luz do dia e da razão. Mas aí a noite vem, abre a porteira do inconsciente e bem, você descobre que queria sim, queria mais do que seria capaz de admitir. Senão não teria feito.



E aí, minha filha?



Aí você não acredita mais em tentativas despretensiosas.

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