Um dia, provavelmente voltando
pra casa de ônibus, vendo a paisagem correr do outro lado da janela, eu entendi
que o que quer que eu me atravesse a imaginar, via de regra, não aconteceria. Porque
o futuro é, via de regra, imprevisível.
(Pois é, eu bati muita perna por
sites tipo personare, lendo horóscopos, tirando tarô, jogando runas, apostando
em todo tipo de oráculo, porque vai que, né. Ler uma previsão boa, num momento
crítico, pode ajudar e muito – depois, se ela se provar furada, como já
aconteceu comigo, você fica bem mais descrente e se sente até enganado, mas na
hora do sufoco uma enganaçãozinha até que vai bem pra aquietar os ânimos. Mas
acontece que apesar disso tudo, de todas as minhas incursões por esse mundo de
gente que acredita em sinais, sobrenatural, fadas e destino, eu notei que não
há absolutamente nada, mas nada mesmo, que nos possibilite prever o futuro. Cartas
tiradas ao acaso, planetas girando ao acaso sobre as nossas cabeças,
completamente (mas completamente mesmo) indiferentes às nossas vidas, quando
acertam, acertam bem mais por sorte do que por terem razão. Não que nunca
possam estar certos, podem sim, mas são um palpite bem dado).
Entendido isso, eu notei como era
pura auto-tortura ficar brincando de imaginar cenários. Porque acontece assim:
a partir do momento em que você imagina tal coisa você massacra uma
possibilidade real. Uma possibilidade a menos pra acontecer. Porque se você
imaginou não vai acontecer, porque o futuro é imprevisível. Falando em termos
mais concretos: a única responsável pelas minhas decepções e pela minha vida
não-dar-certo, de acordo com os meus padrões e expectativas imaginárias, sou eu
mesma.
Mas o mais patético de tudo é a sua volta
pseudo-filosófica-metafísica desembocar num refrão do Skank sobre
o ideal ser se ~~deixar levar pela vida~~.
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