domingo, 2 de dezembro de 2007

da necessidade de escrever

Eu escrevo há muito tempo. Uma das "relíquias" da minha mãe é o meu primeiro diário, de 1998. Tudo bem que por trás dessa proteção há terceiras intenções da minha mãe, afinal, foi ali que eu registrei os últimos meses de gravidez e o nascimento do João, o meu irmão mais novo. é um nascimento sob a ótica de uma menina de 8 anos que - isso você descobre lendo as páginas não-dedicadas ao caso João - gosta de Barbies, desenho animado, de colecionar bichinhos de pelúcia da Parmalat, e que vai perder o seu posto de caçula. Nada mais ingênuo e engraçadinho - engraçadinho porque os erros de português e as tentativas de desenhar são risíveis.
Hoje, quase 10 anos depois, as Barbies ainda moram na prateleira do meu quarto, perto dos bichos de pelúcia, mas. Mas o quê? "Mas o meu modo de escrever mudou", pensei. Mas como?, aos 8 anos não havia um modo de escrever. Não havia o cuidado com o estilo, a preocupação em escrever uma coisa válida, eu escrevia e ponto. Isso aconteceu durante um bom tempo, na verdade. Até algum professor me apresentar as palavras coerência, coesão e dissertar como as premissas para escrever bem. A partir daí, eu fui obrigada a abandonar o estilo diário, porque aprendi também que escrever sobre si é não só sentimentalóide, como torna a coisa não-séria, banal.
é. Agora eu deveria dissertar, com coerência, coesão e, se possível, estilo (é sempre bem vindo), temas relevantes à sociedade. Política e educação eram os preferidos, embora a vida privada também fosse contada - mas não contada em verso e prosa, com jeito de história boca-a-boca, causo, fofoca; contada em dissertação, analisando suas raízes, as causas para tudo que nela ocorria. Tudo com muito cálculo e esmero.
E a necessidade de se escrever? é esse o título deste pretensioso texto - pretensioso, sim. Porque sempre que se escreve para terceiros, se quer causar impressões, provocar comentários. Por que escrever, por que se escolher esse ofício como profissão quando já se constatou que ele é exibicionismo e que às vezes pode perder o seu "calor humano" de tanto cálculo na sua confecção? Parece que a resposta já está implícita no sentimentalismo da última frase - aliás, do texto inteiro - : porque eu eu gosto. Porque eu faço isso desde que as palavras deixaram de ser risquinhos e continuo fazendo. Quase nunca nesse blog, ás vezes pra escola e sempre para mim - e é aí que eu gosto mais, porque eu não preciso ser coerente e coesa, só preciso de um assunto, lápis, papel e uma aula entediante. Mais ou menos como em 1998, quando, no entediante consultório do Dr. sílvio torres eu escrevia enquanto escutava o tum-tum do "coraçãozinho do bebê". E porque eu gosto de histórias, de pessoas. E, no final das contas, coerência e coesão não são bem inimigas. João Cabral é lírico e métrico ao mesmo tempo. Então, pretensamente, eu posso também ser.

FIM de um texto pretensioso, ruim, que não soube ter início, meio, fim e que provavelmente não saberá existir.





Nenhum comentário: